Tecnologias inovadoras e a melhora no desempenho das células que transformam luz do sol em energia prometem ampliar mercado fotovoltaico no mundo

Uma revolução em curso no setor fotovoltaico deve colocar a energia solar em um novo patamar nos próximos anos.

O desenvolvimento de células solares mais eficientes para produção em larga escala, aliado ao surgimento de novas estruturas baseadas no uso de filmes finos, plásticos orgânicos e até tintas, pode popularizar e energia do sol e ampliar o mercado para essa fonte.

Para isso, contudo, será preciso vencer a barreira do preço.

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foi quanto caiu o preço do silício monocristalino em todo o mundo na última década, fator decisivo para, junto com os ganhos de eficiência e à alta oferta, incentivar a construção dos módulos solares tradicionais. Aos poucos, contudo, novas categorias de células mais leves e flexíveis começam a surgir, apontando para melhores condições de uso, preços mais baixos e aumento no ganho de escala.

No Brasil, o investimento em um sistema fotovoltaico de pequeno a médio porte fica entre R$ 15 mil e R$ 85 mil, dependendo da potência instalada. A necessidade de importação dos componentes para montagem das estruturas e a cobrança de impostos sobre as movimentações ainda dificulta a consolidação da tecnologia. Em 2013, no Brasil, o custo médio do watt instalado era de R$ 8,70. Hoje, três anos depois, fica entre R$ 7 e R$ 10.

Energia solar em casa

Protagonista da primeira geração de materiais fotovoltaicos, o silício monocristalino, ainda domina 90% da produção de painéis solares no mundo. O elemento, extraído de minerais como o quartzo, é encontrado em abundância em diversos países e vem permitindo melhorias em termos de eficiência das células que transformam raios solares em potencial energético. Desde 1952, os índices cresceram exponencialmente. Na época, uma célula exposta a 100% de radiação solar, transformava apenas 0,5% do total em energia. Até o fim da década, o porcentual havia crescido para 6%. Hoje, o índice já fica em torno de 16,5% e 18%. Em testes laboratoriais, as células solares chegaram a revelar desempenho de 25%.

Rodrigo Lopes Sauaia, doutor em engenharia de materiais e diretor da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), diz que, apesar de a melhora nos resultados ser positiva, quanto maior o desempenho alcançado por uma célula, mais caro e trabalhoso foi o processo de purificação pelo qual o silício teve de passar. Por consequência, maior é o preço da estrutura que gera energia.

Ganhos significativos em eficiência em pouco tempo

Células da chamada 2ª geração– formadas a partir de silício amorfo, microcristalino, telureto de cádmio e CIGs (composta pela reunião de elementos como cobre, índio e gálio) – surgiram em testes laboratoriais e, por serem mais leves, são aplicadas em películas e filmes finos, que podem ser colados em plásticos, vidros e até tecidos.

“Elas são capazes de preencher superfícies maiores do que os espaços ocupados pelas placas solares e, com isso, captam mais luz”, explica Izete Zanesco, professora da faculdade de Física e da pós-graduação em Engenharia e Tecnologia de Materiais, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Por outro lado, o coeficiente energético alcançado pelas novas células ainda é menor se comparado ao conquistado pelo silício microcristalino, da 1ª geração. Em média, cada uma, atinge índices entre 7% e 13%, mas alguns testes já chegam a valores próximos de 16%. “Um sistema tradicional dura em média 25 anos. A queda brusca de eficiência que as células de silício amorfo, por exemplo, sofrem em bem menos tempo e a toxidade do telureto de cádmio são desafios a serem superados. Mas, se considerarmos que são tecnologias novas, descobertas há poucas décadas, o progresso conquistado em termos de eficiência atingida já foi muito significativo, o que indica condições de as novidades evoluírem ainda mais e em pouco tempo”, diz Izete.

 

Fonte: Gazeta do Povo